
Seremos extintos?
Publicado em 12 de abril de 2026
"O Planeta sofre de uma grave doença degenerativa causada pelo modo de vida e de produção dos seres humanos, que exploram e destroem a Natureza. É uma doença que vem dizimando inúmeras espécies e tem o potencial de extinguir inclusive os seres humanos.
O grande problema da degradação dos ecossistemas naturais é que essa é uma doença lenta, um processo de décadas e séculos que nem sempre é perceptível, principalmente vivendo nas cidades.
São muitos os perigos. As mudanças climáticas e altos níveis de concentração de gás carbônico na atmosfera oferecem um risco que ainda não temos capacidade de dimensionar. O esgotamento dos recursos naturais, como petróleo, carvão, solo e, claro, a água, tende a levar a crises econômicas e sociais alarmantes. Mas tem um perigo que particularmente é o que mais me assusta: a seca, que além de faltar água, favorece as queimadas e incêndios e prejudica diretamente a produção de alimentos.
Não há vida sem água. E sem ecossistemas, sem as florestas, a água vai embora.
Se continuarmos nessa direção, as secas serão cada vez mais severas, em um clima cada vez mais quente e imprevisível, o que pode afetar muito a cadeia de suprimento de água e comida e levar a incêndios catastróficos.
A grande maioria das pessoas só não percebe isso, pois a comida ainda está nas prateleiras dos supermercados e quando abrem a torneira magicamente a água chega em suas casas.
Mas e se chegar ao ponto de uma crise tão severa que afete tanto o suprimento de água quanto a produção de alimentos?
Se a água e a comida acabarem, o caos será instalado e todo o resto se tornará irrelevante.
E não iremos sofrer sozinhos, todos os outros seres vivos sofrerão também.
O ser humano é uma das espécies mais adaptáveis que já existiu. Mesmo em um planeta alguns graus mais quente, com ecossistemas colapsados e economia colapsada, grupos humanos podem sobreviver em bolsões de resiliência.
A extinção total da espécie humana pode ser improvável, mas o colapso do estilo de vida atual é quase uma certeza.
O Planeta é tão forte, que muito provavelmente irá sobreviver. Mas com um custo altíssimo, de andar por um período na contramão da evolução natural, de potencialmente prejudicar bilhões de pessoas e de impedir que outros zilhões[^2] de indivíduos venham à vida.
Vale a pena arriscar?"
Este artigo é um trecho do livro Planeta Regenerativo.
