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A origem do mal

Publicado em 19 de abril de 2026

"Antes de entrar na parte de como podemos alcançar esse futuro e o que precisa ser feito, precisamos entender a origem do problema.

Qual o interesse de quem explora os recursos naturais? A exploração é feita com qual objetivo?

Qual a origem do mal causado à Natureza?

Infelizmente existem as pessoas que são verdadeiramente más e que desejam e praticam o mal a outros seres. Delas quero distância, e rezo pelos que tristemente sofrem por suas ações.

Também existe a autodefesa e proteção do seu território que podem levar a atos que prejudiquem outras vidas. Porém essa é uma característica da Natureza como um todo, e não uma maldade intencional. Animais defendem seus territórios pois sabem que ali estão a fonte de alimento, abrigo e água para si e sua família. Se outro tentar invadir, instintivamente irá se defender. A disputa por recursos para sobrevivência faz parte da essência da dinâmica que envolve o conjunto das espécies que aqui habitam e faz parte da programação do equilíbrio pelo qual o Planeta busca. Não é essa maldade a origem do problema.

O interesse e objetivo de quem explora sem ser por auto defesa ou buscando recursos para sobreviver é algo que posso ver e constatar com os meus olhos, apenas observando os hábitos e padrões da sociedade.

A grande maioria do mal é causado por pessoas que estão amplamente movidas pelo interesse de ganhos financeiros pessoais em detrimento da Natureza. É a obtenção de ganhos privados de curto prazo, em detrimento do prejuízo compartilhado com a sociedade, outras formas de vida e gerações futuras.

Em um primeiro momento, me vem à cabeça que talvez o objetivo de lucro seja a origem do mal. Mas o lucro por si só não justifica, pois ele pode ser algo bom, se for obtido de forma regenerativa.

Se somente o lucro fosse a origem do problema, o decreto de culpado final seria o capitalismo, já que o modelo o possui como base. Como o lucro também poderia ser algo bom se obtido de forma regenerativa, precisamos aprofundar mais.

A origem do problema da degeneração planetária é o lucro obtido a partir da exploração que não se sustenta ao longo do tempo e, portanto, contribui para reduzir as formas de vida existentes.

Um modelo de capitalismo regenerativo, em tese, é possível de existir. Basta que deixem de existir negócios que operem às custas da Natureza.

É a diferença entre alguém que corta florestas nativas para vender madeira e outra pessoa que regenera uma área degradada plantando árvores e vende o excesso de madeira no futuro sem comprometer a integridade do ecossistema local.

É a diferença entre a monocultura que desmata e exaure os solos e os sistemas agroflorestais, que restauram o equilíbrio ecológico.

Vamos aprofundar no exemplo da madeira, mas que lógica semelhante também pode ser usada para quase qualquer outro setor. Uma pessoa que não deseja obter lucro às custas da Natureza precisa plantar e manejar as árvores das quais pretende vender a madeira. É um trabalho e tanto, vai ter custo de tempo e recursos. Em contrapartida, a pessoa que decide lucrar cortando a madeira de uma floresta nativa está, de certa forma, roubando para si o tempo que levou para a árvore crescer, seu impacto ecológico e de seus descendentes que não mais existirão.

Será então o lucro obtido às custas da Natureza a nossa maçã?"

Este artigo é um trecho do livro Planeta Regenerativo.

Planeta Regenerativo

Livro Planeta Regenerativo

Como a inteligência da Natureza pode acabar com a fome, com a sede e reverter as mudanças climáticas.

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A origem do mal | André Ravagnani